
- Estande Bienal Digital. Da esquerda para a direita, Thainara Barros, 11 anos, Gisele Oliveira, 14 anos e Camila Moraes do Carmo, 16 anos. Foto Ana Branco
Fonte: Blog da Bienal – O Globo
Espaço privilegiado do bom e velho livro de papel, com uma expectativa de vendas de 2,5 milhões de exemplares em apenas 11 dias, a Bienal do Rio, em sua 15ª edição, entrou na discussão sobre as transformações provocadas no mercado editorial pelas novas tecnologias. Este ano, pela primeira vez, e-readers e tablets puderam ser vistos com frequência nos estandes do Riocentro, vários debates discutiram os desafios colocados pela expansão dos formatos digitais.
Uma das novidades do evento em 2011, o estande Bienal Digital reuniu diversos modelos de aparelhos para leitura de e-books, manuseados pelo público. Numa visita ao espaço, nota-se que, nos tablets experimentados pelos visitantes, em sua maioria crianças e adolescentes, as redes sociais e os jogos disputam espaço com os livros. Ainda assim, para Sonia Machado Jardim, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), que organiza a Bienal ao lado da Fagga Eventos, o estande é uma boa forma de apresentar essas tecnologias a um novo público.
– Como ainda há poucos e-readers estabelecidos no Brasil, os leitores não estão familiarizados com eles. O estande Bienal Digital promoveu uma espécie de test drive desses aparelhos. Notamos que há muita curiosidade entre o público, por isso a Bienal não podia deixar de se modernizar – diz Sonia, que destaca a oferta dessas tecnologias também em estandes de editoras, empresas, livrarias e no da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), em sua exposição sobre tradução de obras brasileiras no exterior.
Além dessa iniciativa, a FBN também é uma das organizadoras do colóquio internacional “E-books e a democratização do acesso. Modelos e experiências de bibliotecas”, em parceria com o Goethe-Institut do Rio de Janeiro, a Mediateca da Maison de France e o Instituto Cervantes. Com a participação de representantes de bibliotecas, editoras e universidades de Espanha, Alemanha, França, Inglaterra e Brasil.
Um dos convidados do evento, o francês Jean-Michel Ollé, diretor editorial da Hachette Livre International, presente em cerca de dez países (entre eles o Brasil), diz que o mercado editorial francês, assim como o brasileiro, ainda está dando os primeiros passos no mundo digital.
– Ao contrário do que já aconteceu nos Estados Unidos e na Inglaterra, na França o mercado de e-books ainda não decolou. Mas acreditamos que esse processo está começando e, nos últimos meses, temos desenvolvido uma série de ações nesse sentido – explica Ollé, citando como exemplos a oferta atual de cerca de 7.000 títulos do catálogo francês em formato de e-book e a criação de uma série de aplicativos para plataformas digitais, como um guia turístico de Paris e um passeio virtual pela Edimburgo retratada nos romances policiais do escocês Ian Rankin.
A situação do mercado francês, tema da palestra de Ollé, teve outro ponto de comparação com o caso brasileiro. Criado em 2000, o site Amazon.fr transformou as práticas editoriais no país, melhorando a distribuição de livros físicos, mas provocando enormes discussões sobre as estratégias de desconto praticadas pela empresa, diz Ollé.
Questões semelhantes surgiram durante a palestra que o vice-presidente da Amazon para conteúdo de Kindle, David Naggar, realizou para um grupo de cerca de 50 editores e livreiros brasileiros no Riocentro. Como parte da estratégia da Amazon para se instalar no país (a empresa recentemente anunciou em seu site que está recrutando candidatos para o posto de gerente de vendas em São Paulo), Naggar enfatizou as vantagens oferecidas pelo modelo de negócios da empresa. Mas segundo a presidente do Snel, Sonia Jardim, que esteve na apresentação, os editores ainda veem questões pendentes quanto à entrada da Amazon no Brasil.
– Naggar fez colocações interessantes sobre as possibilidades de negociação dos títulos de catálogo e a praticidade e conforto oferecidos pela compra através do Kindle. Mas uma empresa estrangeira como a Amazon, que não recolheria impostos nem geraria muitos empregos no Brasil, não pode querer vender a um preço diferente do varejo brasileiro – observa Sonia.

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